OS NOSSOS POETAS  
Sobral Gordo
 
Sobral Gordo tem história
No arquivo da memória,
Passada de pais a filhos
Desde o dia em que nasceu
E no tempo não morreu
No marasmo dos seus trilhos.
 
Nas costas tem Sorgaçosa
Que sendo linda e airosa
Como é Moura da Serra,
A Gramaça bem em frente
E Vale do Torno, imponente,
São vistas da nossa terra.
 
Mourísia, que fica ao lado,
Soito da Ruiva, ocultado
Pelo serro já corcundo,
São terras de boa gente,
Não sendo também diferente
Sobral Magro, lá ao fundo.
 
Mas o Sobral Gordo tem
0 Valduço, que é também
Dos locais bem conhecidos,
Bem como a Fonte Cimeira,
Caminhos da Abetureira,
Por gerações percorridas.
 
Vale da Escusa, bem moldado,
0 Cortelhinho e o Tapado,
Barroquinha na ladeira.
Carvalhos, sombra pacata,
Chanovo e Porta Mata,
A Mina e a Valeira.
 
Moinho Velho e Ribeira
Foram rotas de canseira
Deste povo bem gigante,
No local em que passava
Toda a terra desbravava
Até mesmo a mais distante.
 
0 Vale e a Fonte Maço
0 Fornito, já devasso
Bem na ponta do outeiro
Onde os pinheiros de outrora
São sentinelas agora
Do Barro até ao Cheiro.
 
Dos velhos, tenho a certeza
Destes locais de beleza
Dizem com mágoa e saudade
Desenhando em palavras
Aqueles caminhos de cabras
 
Trilhados na mocidade.
Tudo aos poucos vai sumindo
Os velhos também vão indo
Na miragem da razão
Com razão para viver
Tudo acaba por morrer
Mas o SOBRAL GORDO não,
 
SOBRAL GORDO é juventude
Respira vida e saúde
No Verão, noites mais quentes
Agosto dá vida à serra
E prova que esta terra
Cada vez tem mais sementes.

Jaime Lopes

Hino a Sobral Gordo
 
Lindo Sobral Gordo
Tens luz e tens cor,
És terra de sonho
És hino de amor.
 
Tuas casas pequeninas
Cheias de harmonia e cor
Lembram ninhos de andorinha
Com a benção do Senhor.
 
Tua branca capelinha
Tocando a Avé-Maria
Lembra o chegar da tardinha
E as águas que a vão beijando.
 
As borboletas voando
Os pardais a chilrear
As criancinhas brincando
E um rouxinol a cantar.
 
Neste Sobral Gordo amado
Cá nesta terra querida
Eu queria ser embalado
E ficar para toda a vida!

Esmeralda Filipe

Quadras Soltas

Sobral Gordo é uma aldeia
Feita de serra e saudade
Sobral Gordo é uma teia
De nobreza e humildade.
 
Sobral Gordo de encantar
Minha aldeia abençoada
Em ti quero repousar
No fim da minha jornada.
 
Sobral Gordo és futuro
És realidade, és sonho
És o meu porto seguro
És o verso que componho.
 
Em Sobral Gordo. a soprar,
Passa o vento apressado
Vai ao futuro contar
Coisas que viu no passado.
 
Toca o sino e ao tocar
Ouve-se o eco na serra
Sobral Gordo vai rezar
Pelo futuro da terra.
 
Odete Quaresma.

Hino a Sobral Gordo (2)

É uma terra linda
Como só ela pode ser
Aquela aldeia querida
Que me viu nascer.
 
No meio da serra
Envolta de Natureza
Está uma aldeia modesta
Tão cheia de beleza.
 
Quand´os seus filhos chegam
São recebidos com satisfação
Pior é quando eles partem
Fica a dor no coração.
 
Desta terra que vos falo
Com tanto amor e carinho
Só podia ser SOBRAL GORDO
A terra do meu paizinho.
 
Não só do meu paizinho
Dos meus avós também
Ainda esta terra viu nascer
A minha tão querida MÃE!
 
Odete Francisco, Outubro de 1989.
0 Nosso Boletim
Oh! meu pequenino Boletim,
Aqui te venho saudar,
Por teres vindo junto a mim,
E tanto me vires contar.
 
Esse punhado de obreiros,
Que tu vens a defender,
São heróis, são pioneiros,
Foram quem te deu o ser.
 
Nessa aldeia que defendes,
Rodeada de arvoredo,
Hás-de ver o que pretendes,
Isso mais tarde ou mais cedo.
 
Teus filhos querem-te tanto,
Que mais te não podem querer,
Por ti derramam pranto,
E querem-te até morrer...
 
É mesmo assim que procedem,
Filhos de bom coração,
Pagando quanto lhes devem,
Do tempo da criação.
 
Embora onde vivemos,
Estejamos bem instalados,
A terra onde nascemos,
Tem direitos reservados.
 
António Matias
Relva Velha, 23/XI/1959

© Comissão de Melhoramentos de Sobral Gordo

Questões? Comentários? Sugestões? E-mail sobralgordo@clix.pt.